Re-construindo


Será que é verdade que somos o que escrevemos

ou escrevemos o que gostaríamos de ser?

Alguns meses se passaram e sem nenhuma explicação

tomastes a decisão de silenciar

através de um silêncio que desconhece todas as amarras afetivas.

Ferindo a todos com o mesmo golpe,

excretando a todos de uma única vez,

desfazendo-se dos estorvos necrosantes que incomodavam a tua alma

e impediam de alçar voos de liber-(i)dade.

Não é necessário entender essa mudança radical e intempestiva,

mas aprender a se tornar indiferente à indiferença                                             

e a conviver com a suspeita de ter sido durante muito tempo

um incomodo suportado em nome de alguma misericórdia.

(Luís Costa – 15:14h - 16.06.2012 – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 22h02
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Já passa da meia-noite e o sino não tocou.

É noite de Natal. O que será que aconteceu?

Será que o Menino Deus não encontrou um lugar para nascer?

Será que as Marias do povo continuam na fila dos hospitais

esperando seus filhos nascerem?

Algo estranho está acontecendo.

Os sinos emudeceram.

A festa terminou.

O recém-nascido dormiu.

A cidade silenciou repentinamente,

mas a noite continua iluminada

pelas milhares estrelas cintilantes.

Já não necessitamos ir a Belém.

O presépio do abandono

está cada vez mais perto de nossos olhos

e distante de nossos corações.

(Luis Costa – 23.12.2013 – 19:15h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 22h00
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Terra de ninguém.

Terra de todos nós.

Cifrada em coordenadas e mapas

dominada em suas entranhas ancestrais.

De vez em quando sente a sua rebeldia.

E o que chamas de catástrofes naturais

são na verdade parte de sua ira.

(Luis Costa – 17.10.2008 – 20:39h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 21h33
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Elis,

plenamente divina,

voz enternecida de saudades e lembranças,

no canto do Brasil.

Se tu só sabes cantar,

quando terminares a última canção,

te direi silenciosamente:

“e eu só sei te escutar:

cada canção,

cada suspiro,

cada pausa,

cada sorriso e lágrima,

cada emoção”.

E te pedirei pela última vez

É(B)is. Bis, eternamente Elis.


(Luís Costa – 02.02.2013 – 16:32h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 17h42
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São tantas as turbulências, curvas, (in)certezas...

que a melhor atitude da alma em convulsão é silenciar e aguardar pacientemente a chegada ao ponto final.

São imprevisíveis os desafios que nos visitam no dia a dia, mas vale a pena contemplá-los como partes de uma longa aprendizagem...

quando ainda restam migalhas destroçadas, amarguradas de repetidas decepções, cristalizadas em cada passo avançado.

Ser ou não ser é o que nos define...

enquanto não encontramos outros significados para o inexplicável, para o sigilo enigmático do destino.

Ser ou não ser é o que nos transforma

em seres insaciáveis e mitigados em todas as nossas possibilidades

e para isso é necessário ter paciência

com as nossas convicções contraditórias e alienadas

e nos permitir sorrir ainda que o nublado e a sombra de nosso olhar tente desviar o foco da claridade...

e chorar diante das infinitas repetições do que buscamos fora de nós completamente destituídos de sentido existencial

Um dia as nossas respostas e os nossos soluços serão como pingos de lágrimas em meio a tantas travessias ousadas da humanidade que (re)clama por justiça e PAZ...

mas também um dia nos convenceremos, diante da mais mórbida evidência, de que muitas buscas, descobertas, desejos, destruíram a pureza dos sentimentos

e nos tornaram incrédulos e insensíveis diante de algumas palavra: amor, amizade e vida.

(Resomar- 2013)

(Luís Costa –24.12.2012 – 22:55h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 12h49
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Ouvimos dizer que nesta noite

nasceu o Menino Deus

em algum canto do planeta Terra,

mas ainda não conseguimos encontrá-lo.

Entramos em várias casas:

casas dos ricos, casas dos pobres, casas dos sem-casa.

Os nossos olhos ficaram apavorados

com o que vimos:

milhares de crianças desnutridas, morrendo de fome;

crianças abandonadas, sem pai e sem mãe;

crianças violentadas na inocência e no corpo.

Pela rua encontramos numa lata de lixo

um feto assassinado.

E diante delas nos perguntávamos:

onde está esse Menino Deus?

Se é verdade que Ele veio divinizar a humanidade

será que não se tornou humano demais?

(Luis Costa –24.12.2012 – 22:55h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 12h34
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O Natal foi o tempo em que

a resposta de libertação de Deus ao grito do povo oprimido

se encarna o Menino-Deus no seio da Virgem Maria,

inquietando o poder dominador de Herodes,

e demonstrando como na fragilidade de uma criança

trás em si o poder salvador de Deus à face da terra.

 

O Natal é o tempo em que

as pessoas estão preocupadas com o acúmulo de bens materiais,

com a aparência física narcisista,

com as festas e baladas,

com a qualidade das comidas e bebidas,

com os presentes sedutores das vitrines.

 

O Natal será novamente o tempo em que

os homens e mulheres de boa vontade

se esforçaram para construir um mundo novo:

de justiça, paz e verdadeira fraternidade.

Então o Menino-Deus não precisará mais nascer

porque a humanidade haverá compreendido

que o Natal transcende ao tempo, é eterno.

Eterno é o amor – Natal.

Eterno é o acolhimento – Natal.

Eterno é a simplicidade – Natal.

Eterno é Deus – Deus-Menino-Natal.

 

(Luís Costa – 25.12.2011 – 00:15h – Caxias



Escrito por LugCosta às 12h23
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Canto para além do medo

que se esconde no silêncio destas ruas

(des)mascarando fantasmas e contos sombrios:

sou o último andarilho da solidão.

(Luís Costa – 19.11.2012 – 11:30 – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 12h33
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Sigo sonolento esperando a aurora boreal.

Permaneço distante dos teus olhos.

Cancelado de tuas recordações.

Tenho uma só pergunta no coração,

perpassada de uma sólida e decisiva certeza:

tudo não passou de uma mera ilusão?

(Dedicada a uma amiga desaparecida no silêncio da aniquilação)

(Luís Costa - 27.07.2012 - 22:50h - Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 22h57
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Não foi possível descer da cruz

depois de tanto sofrimento e dor.

Olhares incrédulos acompanhavam

em silêncio os últimos suspiros de vida

daquele nazareno que se autoproclamou

o único Filho de Deus.

Impassíveis e decepcionados

assistem o mestre ser entregue incondicionalmente

nos braços da morte.

O grito de dor e agonia esfacela as esperanças

de libertação do povo pobre e oprimido.

A morte aparentemente destrói o sonho

de vida nova – ressurreição.

Uma certeza paira no coração dos discípulos consternados,

já não será necessário esperar pelo terceiro dia:

(como negar a verdade incontestável?)

o mestre havia realmente morrido.

Vida eterna só depois da cruz despida.

Ato de fé.

Entrega da vida.

Missão cumprida.

Jesus ressuscitou!

(Luís Costa – 04.04.2012 – 19:10h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 17h52
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Vaguei a noite inteira
sem saber onde te encontrar
rainha dos sertões.
Não suporto o teu silêncio
porque sufoca a minha procura.
Sei apenas que estás imersa
em águas profundas
das profundezas do teu coração.
Desatadora dos nós da vida,
não és Iemanjá,
nem uma oferenda pros Orixás bendita,
simplesmente Maria:
Socorro das almas perdidas!
(Luis Costa - 14.02.2012 - 09:21h - Caxias/MA)


Escrito por LugCosta às 10h40
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Estou voltando depois da longa viagem.
Quem me esperou
pensando que chegaria com as mãos cheios de presentes
vai ter uma grande decepção.
Levo apenas o que não posso deixar.
Levo apenas o que me faz viver.
Não trago comigo histórias,
nem grandes aventuras para contar.
Estou voltando para mim mesmo.
Estou voltando para me reencontrar.
Esperem-me de mãos vazias:
não tenho nada para dá e nem para receber.


(Luis Costa - 21.04.2004 - São Paulo/SP)


Escrito por LugCosta às 22h06
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Onde colocaram tua coroa de espinhos, ó rei da glória?
Teu corpo dilacerado foi deposto da cruz.
E o teu sonhado reino repousa nos braços ternos de tua mãe.
Jesus de Nazaré, Filho de Deus, desprezo dos homens.
E teus falsos amigos? Desertaram? Não eram teus cúmplices?
Já não podes fugir deste momento:
és apenas um homem?
Será que não é possível salvar a ti mesmo?
Este teu silêncio não seria teu gesto mais enigmático de fraqueza?
Tudo aceitas:
a cruz,
os escárnios,
as chicotadas,
o desprezo dos homens,
o cálice do sacrifício impassível.
Pareces ser mais filho dos homens do que Filho de Deus..
Demasiadamente humano, Jesus de Nazaré.


(Luís Costa - 01.0.2010 – 22:00h – Caxias/MA)



Escrito por LugCosta às 19h23
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Nasce uma esperança

naqueles olhos quase sumidos

olhando para o céu

contemplando o silêncio das estrelas.

Sentada naquela velha cadeira,

as noites são admiradas no seu mistério.

Alguma coisa virá daquela distância

que os olhos todas as noites tentam alcançar.

A esperança é espera paciente

embalada na mais discreta insistência

de permanecer contemplando.

A noite,

as estrelas,

o mistério,

o silêncio,

a esperança.

 

 

(Caetés 24.06.2003)



Escrito por LugCosta às 22h57
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Estranhei o teu silêncio

num momento de dor e de abandono.

Ficaste de muito longe contemplando

as palavras, as angústias que giravam no ar.

Esperava envolvimento, cumplicidade.

Mas o medo de envolver-se,

o momento não propício,

o retorno das lembranças passadas,

as reminiscências do crime,

empoeiraram as possibilidades do momento presente.

As sombras do passado

retornaram para sucumbir as pilastras

da única e desejada amizade.

 

 (Luís Costa - 28.04.2010 – 15:07h – Caxias/MA)

 



Escrito por LugCosta às 18h55
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